quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Impacto Profundo.
Era como se eu estivesse à beira da praia segundos antes de um tsunami. Ainda que com os olhos fechados de puro pânico, eu podia notar a sombra da enorme onda. Cada pedaço de mim previa o poder do que estava por vir. Fui atingida e arrastada pelas ruas da cidade. Mas depois do desespero e apesar do enorme impacto, meu corpo me surpreendeu com uma nova defesa. Eu ainda não tinha controle, sentia-me sendo conduzida pelas ondas como uma boneca de trapos. Mas era como se tivesse desenvolvido brânqueas. De repente pude simplesmente parar de remar contra a maré e esperar que ela se acalmasse. De repente eu podia respirar lá embaixo. No nosso relacionamento de águas furiosas, você virou oxigênio.
Amargo.
V: Acabou o açúcar.
E: Acabou faz tempo.
V: Adocei o café com ele ainda ontem.
E: Não estou falando do pote de açúcar.
V: Do que está falando então?
E: De você.
E: Acabou faz tempo.
V: Adocei o café com ele ainda ontem.
E: Não estou falando do pote de açúcar.
V: Do que está falando então?
E: De você.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Meus olhos a encontraram e algo se apoderou de mim. Algo como um demônio hospedou-se em meu corpo, contamidando minha carne, dilatando minhas pupílas, pressionando o meu coração com força. A parte que ainda sentia dor era a parte de mim mesma que restava, que lutava para manter-me em pé e respirando. Toda a movimentação ao meu lado me deixava claustrofóbica, alguns esbarravam em mim e prejudicavam meu equilíbrio já frágil. Não existem palavras para descrever a sensação que tomou conta de mim, que debilitava meus movimentos, que me deixava pálida e quente. Era ela ao seu lado. Era o ciúme ao meu.
quarta-feira, 24 de março de 2010
O Músico

Focalizei aquela imagem com atenção, confiando à minha memória cada detalhe. Seus braços a envolviam, ele dedilhava com um ritmo cuidadoso, concentrado mas ao mesmo tempo despreocupado, os movimentos já eram uma habilidade adquirida.
Os lábios moviam-se com lentidão, a melodia lhe escapava pelas cordas vocais, o som fazia com que os cabelos em minha nuca se arrepiassem.
As expressões em seu rosto alteravam-se com frequencia: Olhos fechavam-se, abriam-se, concentração, sorrisos, ansiedade. Eu queria que ele terminasse logo para que eu pudesse saltar em seus braços e, ao mesmo tempo, não queria parar de olhá-lo executando-a com tanta perfeição. Eu podevia assisti-lo tocar para sempre: Aquela canção.
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